Tímida Modernidade

Tímida Modernidade
03/07/2020 a 14/02/2021
Obras de José de Guimarães para um Futuro Centro de Arte Contemporânea em Guimarães

Tímida Modernidade são as palavras que encerram a carta redigida por José de Guimarães aquando da doação em 1992 de um vasto núcleo de obras da sua autoria à cidade de Guimarães.
 
O ato de doar por parte do artista procurava energizar e agitar essa timidez – à qual a arte e a cultura nunca se devem tomar –, e com isso potenciar num futuro próximo a criação de um Centro de Arte Contemporânea, onde a arte e a dinâmica cultural de Guimarães se projetassem. Desde 1992 esta série de pinturas, desenhos, guaches e esculturas permaneceram em exposição no Paço dos Duques de Bragança. A remontagem que assistimos agora é portanto um desvio anacrónico no tempo e no espaço, perfilando uma exposição em termo de pausa e de desvio, constituindo um novo lugar para as olhar de volta.
 
Se hoje pensamos sobre o futuro dos museus e dos centros de arte no mundo, José de Guimarães apontava a seu tempo, a necessidade de ser criado um lugar plural, de projeção nacional e internacional, museu-habitat de artistas e agentes, um lugar de pensamento e questões, um museu-rampa onde se cruzariam as práticas artísticas e a cultura da contemporaneidade com as dinâmicas particulares e singulares da comunidade e território. Com certezas ou não, no futuro viria a formar-se o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), plataforma-museu que dedica a sua atividade ao gesto de dar a ver as criações artísticas contemporâneas lado a lado com objetos das coleções de Arte Africana, Arte Pré-Colombiana e Arte Antiga Chinesa do próprio José de Guimarães. Se em 2012 o CIAJG nascia com essa emergência, em 2020 continua a levantar a questão: qual o lugar do (deste) museu no futuro? Olhar esta exposição é também um recuo arquivístico que nos permitirá saltar daqui para o CIAJG revendo o lugar que ecoa na sombra de intenções do passado destas obras.
 
Nesta (re)exposição no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, percorrermos uma série de obras de José de Guimarães que nos permitem o acesso à sua prática entre o final dos anos de 1980 e os primeiros momentos da última década do século XX. Poderemos por tais razões olhar para esta exposição como uma exposição-arquivo, que recua no tempo para continuar a questionar o futuro.
 
Foto: Direitos reservados
 
 
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